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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Devaneios cruzadísticos │António Nobre

"É o livro mais triste" é parte do último verso dum poema do poeta português António Nobre, pedido com a resolução do passatempo referente ao mês de Novembro de 2017. Eis o poema: 

Memória

Ora isto, Senhores, deu-se em Trás-os-Montes,
Em terras de Borba, com torres e pontes.
Português antigo, do tempo da guerra,
Levou-o o Destino pra longe da terra.
Passaram os anos, a Borba voltou,
Que linda menina que, um dia, encontrou!
Que lindas fidalgas e que olhos castanhos!
E, um dia, na Igreja correram os banhos.
Mais tarde, debaixo dum signo mofino,
Pela lua-nova, nasceu um menino.
O mães dos Poetas! sorrindo em seu quarto,
Que são virgens antes e depois do parto!
Num berço de prata, dormia deitado,
Três moiras vieram dizer-lhe o seu fado
(E abria o menino seus olhos tão doces):
"Serás um Príncipe! mas antes... não fosses."
Sucede, no entanto, que o Outono veio
E, um dia, ela resolve ir dar um passeio.
Calcou as sandálias, tocou-se de flores,
Vestiu-se de Nossa Senhora das Senhoras:
"Vou ali adiante, à Cova, em berlinda,
António e já volto..." E não voltou ainda!
Vai o Esposo, vendo que ela não voltava,
Vaí lá ter com ela, por lá se quedava.
Ó homem egrégio! de estirpe divina,
De alma de bronze e coração de menina!
Em vão corri mundos, não vos encontrei
Por vales que fora, por eles voltei.
E assim se criou um anjo, o Diabo, a lua;
Ai corre o seu fado! a culpa não é sua!
Sempre é agradável ter um filho Virgílio,
Ouvi estes carmes que eu compus no exílio,
Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses!
Pelo cair das folhas, o melhor dos meses,
Mas, tende cautela, não vos faça mal...
Que é o livro mais triste que há em Portugal!

António Nobre │Só


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Respostas de: Aleme; André Nabais; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita; Baby; Caba; Corsário; Dupla Algarvia (Anjerod e Mister Miguel); El-Nunes; Elvira Silva; Feranames; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Bentes; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Mafirevi; Magno; Magriço; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lurdes; My Lord; Olidino; Osair Kiesling; Paulo Freixinho, Raquel Atalaya; Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva, Somar e Virgílio Atalaya.

Até ao próximo!

domingo, 19 de novembro de 2017

Para a Memória de António Nobre

PARA A MEMÓRIA DE ANTÓNIO NOBRE
(um contributo de Pessoa para se perceber melhor o poeta António Nobre)

Quando a hora do ultimatum abriu em Portugal, para não mais se fecharem, as portas do templo de Jano, o deus bifronte revelou-se na literatura nas duas maneiras correspondentes à dupla direcção do seu olhar. Junqueiro — o de «Pátria» e «Finis Patriae» — foi a face que olha para o Futuro, e se exalta. António Nobre foi a face que olha para o Passado, e se entristece.

De António Nobre partem todas as palavras com sentido lusitano que de então para cá têm sido pronunciadas. Têm subido a um sentido mais alto e divino do que ele balbuciou. Mas ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas. O ingénuo panteísmo da Raça, que tem carinhos de espontânea frase para com as árvores e as pedras, desabrochou nele melancolicamente. Ele vem no Outono e pelo crepúsculo. Pobre de quem o compreende e ama!

O sublime nele é humilde, o orgulho ingénuo, e há um sabor de infância triste no mais adulto horror do seu tédio e das suas desesperanças. Não o encontramos senão entre o desfolhar das rosas e nos jardins desertos. Os seus braços esqueceram a alegria do gesto, e o seu sorriso é o rumor de uma festa longínqua, em que nada de nós toma parte, salvo a imaginação.

Dos seus versos não se tira, felizmente, ensinamento nenhum. Roça rente a muros nocturnos a desgraça das suas emoções. Esconde-se de alheios olhos o próprio esplendor do seu desespero. Às vezes, entre o princípio e o fim de um seu verso, intercala-se um cansaço, um encolher de ombros, uma angústia ao mundo. O exército dos seus sentimentos perdeu as bandeiras numa batalha que nunca ousou travar.

As suas ternuras amuadas por si próprio; as suas pequenas corridas de criança, mal-ousada, até aos portões da quinta, para retroceder, esperando que ninguém houvesse visto; as suas meditações no limiar; ...e as águas correntes no nosso ouvido; a longa convalescença febril ainda por todos os sentidos; e as tardes, os tanques da quinta, os caminhos onde o vento já não ergue a poeira, o regresso de romarias, as férias que se desmancham, tábua a tábua, e o guardar nas gavetas secretas das cartas que nunca se mandaram... A que sonhos de que Musa exilada pertenceu aquela vida de Poeta?

Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda, e a vida dele, nunca perfeitamente real nem com certeza vivida, é, afinal, a súmula da vida que vivemos — órfãos de pai e de mãe, perdidos de Deus, no meio da floresta, e chorando, chorando inutilmente, sem outra consolação do que essa, infantil, de sabermos que é inutilmente que choramos.
1915

Fernando Pessoa, Textos de Crítica e de Intervenção. Lisboa: Ática, 1980. - 115.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Devaneios cruzadísticos │António Nobre

No presente ano assinalam-se 150 anos do nascimento de três eminentes escritores de língua portuguesa: Raúl Brandão, Camilo Pessanha e António Nobre, os dois últimos já "homenageados" pelo AlegriaBreve. E, como não há duas sem três (diz o povo na sua imensa sabedoria), chegou a hora de dedicar o passatempo deste mês a António Nobre

O poeta nasceu no dia 16 de Agosto de 1867, no Porto, mas a infância e a adolescência foram passadas entre Leça da Palmeira (onde o pai, antigo emigrado no Brasil, possuía uma quinta) e a Foz do Douro. O poeta gostava muito de Leça. Numa carta a um amigo, dizia: “Tenho educado a minha alma em Leça”.

Foi para Coimbra com 18 anos. Chumbou dois anos seguidos, sem conseguir passar do primeiro ano. Não gostava lá muito de estudar. Foi para Paris, onde se licenciou em Ciências Jurídicas. Concorreu à carreira diplomática, onde teve a ajuda de Eça de Queirós. Todavia, não chegou a exercer, porque, entretanto, ficou doente com uma tuberculose pulmonar. Morreu na cidade do Porto, no ano de 1900, com apenas 33 anos.

É uma figura de proa entre os grandes poetas da literatura portuguesa, com as obras "" (Paris, 1892), "Despedidas" (1902) e "Primeiros Versos" (1921), os dois últimos publicados já depois da sua morte.

Foi um Homem Só. Correu o mundo, mas sempre com saudades da sua terra, que não dos políticos «...Nada me importas, País! seja meu Amo/O Carlos ou o Zé da T´resa...Amigos,/Que desgraça nascer em Portugal!». Um imenso vazio. Poemas muito auto-biográficos. "" é um livro de versos profundamente triste, profundamente dramático. «...tende cautela, não vos faça mal.../Que é o livro mais triste que há em Portugal!».

É com enorme prazer que convido os meus amigos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e, no final, encontrar parte do último verso (5 palavras nas horizontais) dum poema deste poeta português, injustamente esquecido, António Nobre (1867 – 1900 ).

(este problema respeita as Regras da Acentuação Gráfica)


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HORIZONTAIS: 1 – Descanso; Fecundo. 2 – Tinham como destino; Interjeição que se usa como chamamento. 3 – Berílio [símb. químico]; Liberto; Crómio [símb. químico]. 4 – Indigna; Condiz (com); Pertencer. 5 – Comilão; Falta. 6 – Vede; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de abelha. 7 – Ainda; Doloroso. 8 – Reza; Espanque; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de gás. 9 – Sódio [símb. químico]; Sova; Nota musical. 10 – Suavidade [figurado]; Evoluído. 11 – Vive no desterro; Alento.

VERTICAIS: 1 – Frouxo; Baralho. 2 – Período; Sulca. 3 – Graceja; Lugar elevado; Muar. 4 – Dano; Repetição; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de zelo. 5 – Olvides; Esperta. 6 – Fala; Acento. 7 – Salvo; Linguagem ininteligível. 8 – Laço [figurado]; Prefixo, de origem grega, que exprime a ideia de sobre; Ácido desoxirribonucleico [sigla]. 9 – Malévola; Acentua; Interjeição que exprime espanto. 10 – Feição [figurado]; Conserva. 11 – Criado velho [regionalismo]; Arrepio.

Clique Aqui  para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 20 de Novembro, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes.

Vemo-nos por aqui?