A minha Lista de blogues

domingo, 24 de agosto de 2014

Palavras cruzadas com História-Machado de Assis

"DOM CASMURRO" é o título do romance do escritor brasileiro Machado de Assis, que foi pedido no passatempo do dia 1 de Agosto.

"Dom Casmurro" foi publicado em 1900. Narra a história de Bentinho. Na infância, vai para o seminário, em cumprimento de uma promessa da mãe. Ainda no seminário, inicia o namoro com Capitu, que o entusiasma e leva a desistir de ser padre. Licencia-se em Direito e intensifica a sua amizade com Escobar, o qual, por sua vez, casa com Sancha. Do casamento de Capitu e Bentinho nasceu Ezequiel. Escobar morre e Bentinho estranha a forma como Capitu contempla o cadáver. Sobrevém o ciúme, a dúvida. Crise no casamento. Ezequiel, à medida que cresce, parece-se cada vez mais com Escobar. Bentinho chega a planear o assassinato da esposa e do filho, com suicídio a seguir. A tragédia não se consuma, mas a separação do casal acontece. Capitu viaja com o filho para o estrangeiro, onde vem a morrer. O filho volta ao Brasil, já adolescente, para estar com o pai. Para Bentinho é a confirmação da semelhança entre Ezequiel e Escobar. Bentinho fecha-se nas suas dúvidas e deprime-se. É chamado de Casmurro e põe-se a escrever o romance.

Para os amigos que ainda não leram, fica a sugestão de aproveitarem o que resta do Verão para ler este romance escrito brilhantemente.

Para os que já leram, deixo o desafio de darem opinião acerca das dúvidas de Bentinho. Afinal, Capitu traiu ou não o marido? 

Esta é a solução completa do problema:


1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
1
D
E
V
A
S
S
O

A
T
A
2
A
M

T
E
M

A
L
O
R
3
R

R
I
R

A
M
E
M

4

F
U
N
E
S
T
O
S

A
5
A
L
I
E
N
O

R

R
M
6
D
O
M

A
M
A

U
A
U
7
I
R

R

A
L
A
R
M
E
8
R

C
A
S
M
U
R
R
O

9

P
E
S
O

M
I
A

S
10
R
A
L
A

L
I
A

M
U
11
E
R
A

A
M
A
S
S
A
S

Recebi respostas de: Aleme, Anjerod, António Amaro, Arnaldo Sarmento, Baby, Bábita Marçal, Caba, Carlos Costeira, Elizabeth Sá, Elvira Silva, Filomena Alves, Horácio, Jani, Joaquim Pombo, José Bernardo, Mafirevi, Magno, Mister Miguel, Olidino, Osair Kiesling, Paulo Freixinho, Pedro Varandas, Russo, Salete Saraiva e Vergílio Atalaya.

Agradeço, penhorado, a todos que participaram. Até breve!

sábado, 16 de agosto de 2014

Faz hoje 114 anos que faleceu Eça de Queirós


Faz hoje 114 anos que faleceu Eça de Queirós,  na sua casa de Neuilly-sur-Seine, perto de Paris.

«[…] Eram três horas do dia 16 de Agosto. Fazia um calor horríveL As duas janelas do quarto, que davam sobre o jardim, estavam abertas. Estendido numa cama de solteiro, colocada a meio do quarto, Eça tinha os olhos quase cerrados. A um lado da cama, chorando, estava Emilia. A prima de Eça disse-lhe que o marido estava a morrer, interrogando-a sobre se não seria melhor mandar chamar um padre. Emília concordou. Pouco depois, chegava o padre Lanfand, que deu a extrema-unção a um Eça inconsciente. As crianças, de um orfanato vizinho, cantavam o Miserere. Eram quatro horas e trinta e cinco minutos da tarde. Eça acabava de morrer […].

Maria Filomena Mónica, in “Eça de Queirós

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Língua Portuguesa é a "última flor de Lácio"


Olavo Bilac (1865-1918) foi um jornalista e poeta brasileiro, membro fundador da Academia Brasileira das Letras. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros em 1907.

Ficou conhecido pela sua atenção à literatura infantil e, também, pela participação cívica. Bilac foi um activo republicano e nacionalista. Ficou na História como sendo um acérrimo defensor do serviço militar obrigatório, num período em que o exército usufruía de amplas faculdades políticas.

Foi contemporâneo do Eça de Queirós, foram grandes amigos, tendo convivido, com assiduidade, na cidade de Paris. 

Foi sobretudo como poeta que Bilac que se imortalizou. Ficou célebre a expressão "Flor do Lácio" que ele usou para designar a Língua Portuguesa. Para Olavo Bilac a Língua Portuguesa continuava a ser "bela", mesmo sendo originada de uma linguagem popular.

Soneto à "Língua Portuguesa"

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…


Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O génio sem ventura e o amor sem brilho!


Olavo Bilac, in "Poesias"

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Faz hoje anos que aconteceu Aljubarrota


Faz hoje anos que se deu uma batalha à qual devemos a independência de Portugal. Foi no dia 14 de Agosto de 1385. Aí se jogou o destino de Portugal. Graças à "pouca gente do fero Nuno", como diz Camões, "a sublime bandeira Castelhana/foi derribada aos pés da Lusitana".   

Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaxo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam.
Espedaçam-se as lanças, e as frequentes
Quedas co as duras armas tudo atroam.
Recrecem os immigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.

Muitos também do vulgo vil, sem nome,
Vão, e também dos nobres, ao Profundo,
Onde o trifauce Cão perpétua fome
Tem das almas que passam deste mundo.
E, por que mais aqui se amanse e dome
A soberba do immigo furibundo,
A sublime bandeira Castelhana
Foi derribada aos pés da Lusitana.

Luís de Camões, in "Os Lusíadas", Canto IV, est.s 31 e 41

Esta foi a batalha em que a "arraia miúda", como lhe chamou Fernão Lopes, se manteve do lado do Mestre de Avis, contra os ricos, os poderosos, os traidores, os partidários de D. João, os partidários de Castela ( Rei D.João de Castela e Rainha D. Beatriz). É bom olhar para a História e reflectir. Nos momentos difíceis da nossa História, foi sempre o povo que encontrou o melhor caminho. Em Aljubarrota, foi ele que, contra tudo e contra todos, guiados pelo grande estratega militar, Nuno Álvares Pereira, defendeu a independência de Portugal. Foi Nuno Álvares Pereira que o guiou nesse caminho. "Ergue a luz da tua espada/Para a estrada se ver", há-de escrever,  muitos anos mais tarde, outro grande poeta, Fernando Pessoa. 

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida, 
Que o Rei Artur te deu.

‘Sperança consumada, 
S. Portugal em ser, 
Ergue a luz da tua espada 
Para a estrada se ver!

Fernando Pessoa, in "Mensagem"

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Quando eu me poupe de falar, obriga-me a gritar!


Eu que tenho sido submisso, que tenho sofrido, enxovalhado e calado. Eu que sempre amochei. Arre, estou farto! Não, não pode ser. Daqui em diante, vou seguir o conselho do poeta José Régio. 

Para tanto, daqui lanço um apelo ao meu anjo da guarda:
Quando eu me poupe a falar, aperta-me a garganta, obriga-me a gritar!


Exortação ao meu anjo

Quando eu me deixar cair
No sonho de adoecer para poder dormir,
Fere-me com a tua lança!
Reaviva em mim a dor, fonte de esperança.

Quando a verdade, que é nua,
Me cegar como um sol, e eu me voltar para onde há lua,
E procurar jardins convencionais e plácidos,
Queima-me com os teus olhos ácidos!

Quando me for mais fácil a verdade do que ter
Um papel de actor qualquer,
Como aos que assim se recreiam,
Faz-me exibir-me bobo ante os que aplaudem ou pateiam.

Quando eu julgar, falando, dizer tudo,
Faz ante mim sorrir teu lábio mudo!
Quando eu me poupe a falar,
Aperta-me a garganta e obriga-me a gritar!


Quando eu tiver medo do Medo
E acender fósforos nos cantos rumorosos de segredo,
Arrasta-me pelos cabelos
Para entre os pesadelos!

Quando, a meio da noite e da ansiedade,
Eu me rojar por terra e te pedir piedade
Não me apareças nem me fales!
Deixa-me só com o meu cálix.

Quando eu te falsificar,
E alugar anjos de serrim em seus braços me embalar,
Derrete o chumbo das casas:
Leva-me no tufão das tuas asas!

Quando eu, enfim, não puder mais
Por tuas próprias mãos belíssimas e leais,
E sem caixões nem mortalhas,
Enterra-me na terra das batalhas.

Quando, depois de morto, a glória
Me levantar o seu jazigo e celebrar minha vitória,
Desvenda os alçapões dos meus escritos
E arranca à terra que me esconde
os mais secretos dos meus gritos!

José Régio

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Que trágica ironia!...


« […] Entremos agora na Rua Garrett e subamos para o Largo das Duas Igrejas. À esquerda fica o monumento ao Poeta Chiado, nome popular dado a um frade do século XVI, António do Espírito Santo, que abandonou o hábito para se tornar uma espécie de encarnação do espírito galhofeiro da época e, se manifestar no poeta popular favorito; os poemas que dele ficaram revelam considerável mérito. Esta estátua é da autoria do escultor Costa Mota (tio); foi erigida por ordem da Câmara Municipal e inaugurada a 18 de Dezembro de 1925 […] »

Este texto foi escrito pelo poeta Fernando Pessoa, num guia, "What the tourist should see", que ele escreveu para os turistas que visitam a cidade de Lisboa.

António Ribeiro (Pessoa chama-lhe António do Espírito Santo), conhecido pelo "O Chiado" ou ainda por "O Poeta Chiado"  foi uma personagem estranha, contraditória. Um frade devasso que foi expulso da Ordem dos Franciscanos. Viveu aqui numa casita miserável. No século XVI, esta zona de Lisboa, conhecida por Chiado, era um bairro muito degredado, marginal. Por isso, o poeta tomou o nome do bairro onde vivia. Segundo críticos literários (não concordando com o que Pessoa escreveu), a  poesia do poeta Chiado é de 3ª ou 4º ordem. Não se aguenta a sua leitura. Não obstante, mereceu um monumento de uma envergadura considerável.

O poeta Pessoa estava longe de pensar que, mais tarde, haviam de ser vizinhos.

Hoje, separados por 10 metros, o poeta Chiado, exibindo um riso alarve, está com um dedo apontado ao Pessoa, parecendo estar a dizer: " Eu, que sou pequeno, estou aqui no alto; tu, que és grande, estás aí em baixo"

Que trágica ironia!!!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Pessoa, não estou pensando em nada...


Estátua do poeta Fernando Pessoa, no Chiado, em Lisboa. O poeta medita. Olhar fixo. Em que pensa? Em nada! É Álvaro de Campos que responde: 

Não estou pensando em nada
E essa coisa central, que é coisa nenhuma,
É-me agradável como o ar da noite,
Fresco em contraste com o Verão quente do dia.

Não estou pensando em nada, e que bom!

Pensar em nada
É ter a alma própria e inteira.
Pensar em nada
É viver intimamente
O fluxo e o refluxo da vida...
Não estou pensando em nada.
É como se me tivesse encostado mal.
Uma dor nas costas, ou num lado das costas.
Há um amargo de boca na minha alma:
É que, no fim de contas,
Não estou pensando em nada,
Mas realmente em nada,
Em nada...

Álvaro de Campos (6/7/1935)

domingo, 10 de agosto de 2014

Arco da Rua Augusta


Ontem, fez um ano que abriu ao público o Arco da Rua Augusta em Lisboa. Sobre ele, Fernando Pessoa escreveu assim para os turistas que visitam a cidade:

« […] Do lado norte da praça, perpendiculares ao rio, há três avenidas paralelas; a do meio parte de um magnífico arco triunfal de grandes dimensões, indubitavelmente um dos maiores da Europa. É datado de 1873 mas foi projectado por Veríssimo José da Costa e começado a construir em 1755. O grupo alegórico que coroa o arco, esculpido por Calmels, personifica a Glória coroando o Génio e o Valor; as figuras reclinadas, que representam os rios Tejo e Douro, assim como as estátuas de Nun’Álvares, Viriato, Pombal e Vasco da Gama, são da autoria do escultor Vítor Bastos […] »

Fernando Pessoa, in “What the tourist should see”